“Nem tudo é como a gente quer. No entanto, isso não quer dizer que não é tudo que precisamos. Muitas vezes, essas coisas que a vida nos coloca pelo caminho são bem melhores do que a gente esperava.”
Lucas Silveira
As coisas que tem acontecido na minha vida tem sido muito melhores do que eu poderia esperar. Na verdade, sequer cogitava que pudesse voltar a sorrir novamente. E olha só, eu estou sorrindo. E não falo daqueles sorrisos falsos a que eu estava tão acostumada a sair distribuindo a todos. Estou falando de sorrir porque eu quero sorrir, porque vejo motivos para sorrir.
Sempre me perguntei até que ponto somos capazes de sofrer. Até quando podemos aguentar. Eu não sei quanta dor sofri, nem quanto de mim foi danificado, mas sei que chega uma hora em que simplesmente é impossível se manter de pé. Não sei quando foi que essa hora chegou para mim, mas foi no momento em que parei de sentir. As coisas não mais aconteciam, tudo era igual, tudo era um nada, de um vazio assombroso, e nunca saberei se era melhor sentir dor do que o nada.
E por muito, muito tempo – e não falo de dias ou meses, e sim de anos – pensei que nunca seria capaz de sentir novamente. Qualquer coisa que fosse. Alegria. Tristeza. Amor. Ódio. Carinho. Rancor. E tampouco sei quando foi que voltei sentir. Sei que foi completamente inesperado, e quando percebi estava sentindo. A primeira coisa que senti depois de tudo? Dor. Mas não esperava outra coisa, caso um dia voltasse a sentir. O que mais me surpreendeu foram os sentimentos que vieram a seguir, nos meses que se passaram. Felicidade. Isso para mim já não mais existia, e mesmo quando eu ainda sentia – toda aquela dor, sofrimento -, não havia lugar para a felicidade. E agora, há momentos em que tudo fica bem. Bem mesmo, aquilo de se sentir completa, nem que por uns únicos momentos.
E falo assim porque eu não sei o que se passou quando estive “fora de mim”, quando não mais sentia. Foi muito tempo, e eu não me lembro desse tempo. Não consigo. A única coisa que sei é que eu mudei depois de tudo. Confiar se tornou muito difícil para mim, assim como amar. Ainda há dias em que me sinto vazia, e sempre me sinto diferente de todos. Sei que ninguém é capaz de me entender, e nem espero que sejam. O que eu passei foi único pra mim, e não digo isso de uma forma positiva, ou boa. Eu não sei o que eu sou hoje, e isso não me agrada. Não sei, e tenho medo de não saber. Tenho medo de nunca me encontrar novamente, de nunca confiar de novo nas pessoas, de não ter coragem de amar, de me entregar. Eu não consigo. E é aí que eu vejo que nada está tão bem assim. Que tudo que acontece deixa marcas irreparáveis. Às vezes essas marcas são boas. Às vezes, não. E eu não consigo ver o lado bom nisso tudo.
Talvez fosse melhor eu continuar a não sentir, e não entender que eu mudei. Não entender que hoje eu sou assim. E que não há nada que eu possa fazer para mudar isso.
